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Análise do SAAE é insuficiente para garantir que a água do Pinduca é própria para consumo humano

Além da turbidez, cor, pH e E.coli, é necessário analisar outros parâmetros, descritos na Portaria 5/17 do Ministério da Saúde, para garantir que a água pode ser consumida


Funcionários da SAAE no manancial da Pinduca, em Cachoeira do Brumado | SAAE

Depois de inúmeras cobranças ao Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Mariana para garantir uma água de qualidade em Cachoeira do Brumado, os moradores tiveram a resposta que tanto aguardavam. Para solucionar um dos maiores problemas do distrito, o SAAE informou que a comunidade será abastecida pela água do manancial Pinduca, um novo ponto de captação. Entretanto, a autarquia pode ter se excedido ao afirmar que a água desse manancial está adequada para consumo humano, tendo em vista que ainda não foram feitas as análises necessárias, conforme determina a Portaria 5/17 do Ministério da Saúde.




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De acordo com o SAAE, foi feita uma análise no dia 20 de abril pela equipe do departamento de tratamento de água da própria autarquia para avaliar a turbidez, cor, pH e E.coli, cujo “resultados foram satisfatórios em termos de manancial superficial”. A afirmação de que a água é própria para consumo também foi dita pelo diretor do SAAE, Ronaldo Camelo, em reunião realizada no início de maio com representantes da Associação de Moradores e da Comissão SOS Água. “Foi feito uma análise da água dessa região e ela apresentou boas condições para consumo”, garantiu o diretor.

Entretanto, em uma conversa com o biólogo, João Aranha, ele nos informou que uma única análise é insuficiente para garantir que a água do manancial Pinduca é própria para consumo humano. “A água não tem que estar própria para consumo apenas no momento da coleta. É preciso que ela permaneça dessa forma, e só é possível garantir isso se fizerem o controle mensal e semestral. Inclusive, para atestar a potabilidade da água, é preciso que esse controle seja feito, além do ponto de captação, nos pontos de consumo, ou seja, na rede de distribuição de água. Com esse monitoramento é possível ver, por exemplo, se a água está nos parâmetros da Portaria 5/17, incluindo o cloro residual livre”, explicou o biólogo.

João também informou que é necessário analisar outros parâmetros, descritos na Portaria 5/17, para garantir que ela pode ser consumida. “Além da cor, turbidez, ph e E.coli, existem outros parâmetros que devem ser analisados. Não adianta nada falar que ela está livre de E.coli, por exemplo, se o alumínio, manganês ou arsênio estiverem acima dos valores preconizados por lei. Se isso acontecer, quer dizer que ela está imprópria para consumo”, disse.




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O biólogo também destacou a necessidade de filtrar a água do manancial para que ela tenha garantia de sua qualidade e possa ser consumida sem trazer nenhum risco à saúde humana. “Por lei, as águas provenientes de manancial superficial devem ser submetidas ao processo de filtração. Essa é uma medida preventiva, uma vez que a filtração funciona como barreira sanitária na remoção de protozoários. Mas caso os parâmetros, como por exemplo de ferro e manganês, apresentarem inconformidade, a filtração pode ser uma das etapas de tratamento para garantir a qualidade da água”, explicou João.

De acordo com o biólogo, para garantir a qualidade e potabilidade da água do manancial é importante realizar as análises físico-química, microbiológica, organoléptica e toxicológica do manancial e, se possível, nos pontos de consumo. Todas essas análises, de acordo com o documento enviado à Associação de Moradores de Cachoeira do Brumado pela Subsecretaria de Vigilância e Proteção à Saúde de Mariana, foram solicitadas à Fundação Ezequiel Dias (Funed) no dia 27 de maio.

A Subsecretaria informou que está aguardando resposta da Funed, pois o município já havia atingido a cota de amostras no ano. “O SAAE Mariana está momentaneamente sem contrato com um prestador de serviço para a realização da amostragem, e estamos tentando as análises pela Subsecretaria de Vigilância e Proteção à Saúde. Nosso setor possui um crédito de duas amostras físico-químicas pela Funed, e já realizamos as duas amostragens no ano de 2022”, informaram.

Diante da situação, a redação do portal Ângulo entrou em contato com o SAAE Mariana solicitando mais esclarecimentos referentes ao manancial, análises, controles, divulgação dos resultados das análises e como seria o tratamento convencional realizado no manancial, conforme a autarquia havia informado. Entretanto, até a divulgação da matéria, não tivemos respostas.



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