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Mesmo com Projeto de Lei aprovado, construção dos leitos de UTI em Mariana pode demorar até 18 meses

Segundo o hospital Monsenhor Horta, a inauguração dos leitos depende de uma série de processos, como projetos, aprovações e contratação da empresa responsável pela obra


O recurso faz parte de uma parceria entre a prefeitura e parceria com a Sociedade São Camilo | Divulgação

Durante a reunião extraordinária da câmara dos vereadores de Mariana, realizada na última quinta-feira, 25, o legislativo aprovou o Projeto de Lei que destina um pouco mais de R$4,8 milhões para a implantação de 10 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no hospital Monsenhor Horta, além da aquisição de equipamentos e insumos necessários para o atendimento. Mesmo com esse grande passo em prol da saúde da cidade, os marianenses terão que esperar, pelo menos, 18 meses, para que a inauguração dos leitos seja uma realidade.




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Segundo o diretor administrativo do hospital Monsenhor Horta, Tiago Henrique Alvarenga Lopes, os próximos passos incluem projetos, uma autorização do estado e a contratação da empresa responsável pelas obras, para, por fim, iniciar a construção dos 10 leitos de UTI. "Vamos terminar de desenvolver o projeto arquitetônico, o que pode levar alguns dias, e submetê-lo à aprovação da vigilância sanitária do estado. Acreditamos que teremos um retorno da vigilância depois de alguns meses. Com a aprovação, iremos elaborar os projetos complementares que envolvem a parte estrutural, hidráulica e elétrica. Na sequência, iniciamos o processo de contratação da empresa e com a definição começamos as obras. Somente as obras, estipulamos 12 meses para concluí-las, então, somando todos esses prazos, acreditamos que inauguraremos os leitos em um ano e meio”, explicou Tiago.

O diretor administrativo também informou que o valor de R$4,8 milhões foi baseado em um estudo de viabilidade feito pelo hospital, a pedido do município. Ou seja, foi feito um orçamento de materiais e aparelhos necessários para a construção dos leitos, mas, os valores podem sofrer alterações futuramente. Caso isso aconteça, o hospital informará ao executivo atual sobre a possibilidade de reajustar os valores. “Talvez, o recurso que estipulamos hoje, possa ser alterado para menos ou para mais. Isso porque o mercado oscila bastante. É provável que em 2022 os valores sejam outros. É por isso que, no estudo que apresentamos deixamos claro que no momento adequado, teremos que rever os valores”, disse.




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RECURSO JÁ HAVIA SIDO ANUNCIADO ANTES

Em abril do ano passado, o ex-prefeito Duarte Júnior havia divulgado em suas redes sociais que o município tinha um recurso de R$6 milhões para a construção de 10 leitos de UTI, aquisição de quatro ambulâncias tipo UTI móvel, 20 camas hospitalares eletrônicas e 30 manuais, 20 ventiladores pulmonares mecânicos e 10 carros maca para complementar o serviço de saúde pública de Mariana. Esse recurso era fruto da ação judicial movida pelo Ministério Público do Trabalho contra a Samarco.

Dias depois, o ex-prefeito informou ao portal Ângulo que o hospital não tinha interesse em construir os leitos e que, por esse motivo, o recurso seria transferido para conclusão das obras da UPA São Pedro, pois o município corria risco de perdê-lo. “O hospital deixou claro que não vai construir UTI e que, no momento, não quer discutir o assunto. O dinheiro está na conta e se não dermos uma destinação à ele, vai voltar para a Justiça do Trabalho. Como ele seria para investir na área da saúde, pensamos que seria viável utilizá-lo na UPA”, disse Duarte na época.




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O hospital havia negado a afirmação de Duarte. Segundo eles, o Monsenhor Horta tinha interesse na implantação dos leitos, porém a data de inauguração esperada pelo município, que era dezembro de 2020, era impossível, pois era necessário seguir alguns processos que demandavam tempo.

Ainda de acordo com uma reportagem feita pela Agência Primaz, quando Duarte anunciou o repasse de R$4,5 milhões, o hospital não havia sido consultado de maneira formal e que a Sociedade São Camilo não teria condições de dar andamento na instalação dos leitos de UTI, pois não tinham espaço físico para essa finalidade, sendo necessário um planejamento minucioso, o que não seria viável na situação de emergência e sobrecarga de trabalho decorrente da intensificação de casos de internações e óbitos provocados pela Covid-19.