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"No meu caso, R$10 mil é insuficiente", diz marianense que teve casa alagada no início do ano

O valor foi definido pelo poder público como uma medida para mitigar os impactos e prejuízos patrimoniais causados às famílias residentes na Travessa Monsenhor Rafael Coelho e áreas próximas


A chuva deixou ruas e casas alagadas, além de carros submersos | Divulgação Redes Sociais

Nesta terça-feira, 11, a prefeitura de Mariana publicou no Diário Oficial a Lei Nº 3.679, que cria o auxílio financeiro emergencial para as famílias da Travessa Monsenhor Rafael Coelho e áreas próximas, vítimas dos estragos causados pelas chuvas que aconteceram em fevereiro deste ano.


De acordo com o documento, 44 famílias, que fizeram seus cadastros secretaria de desenvolvimento social e cidadania de Mariana, na época, vão receber R$10 mil, recurso que poderá ser utilizado para:



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  • Aquisição de peças de vestuário

  • Aquisição de produtos de higiene pessoal

  • Aquisição de produtos de limpeza e higienização de ambientes

  • Aquisição de alimentos

  • Aquisição de móveis

  • Aquisição de eletrodomésticos

  • Aquisição de utensílios domésticos

  • Aquisição itens de cama, mesa e banho

  • Aquisição de itens de segurança

  • Aquisição de medicamentos e congêneres

  • Contratação de serviços de reparo e manutenção do imóvel

  • Alimentação e demais insumos para animais

  • Manutenção de veículos automotores atingidos por inundação


O recurso, para algumas famílias atingidas, é insuficiente para reparar os danos sofridos, como é o caso de Victoria Sacramento Campelo Xavier, moradora da Avenida João Ramos Filho, área que também foi afetada. “Na minha casa, onde moro com meu irmão e meu tio, perdemos moto, notebook, máquina fotográfica, roupas, calçados, eletrodomésticos, móveis, alimentos e muitas outras coisas. É um valor que não vai suprir o que foi perdido. Teremos que ver o que é prioridade para comprar com esse dinheiro, e o resto, vamos tentar dar um jeito, infelizmente”, afirma.


Victória relembra que em uma reunião feita entre a prefeitura e a comunidade, o poder público havia se comprometido a indenizar as famílias de acordo com as perdas que cada uma teve, o que não foi feito. “Por algum motivo, que também não sabemos qual é, decidiram que todos receberiam o mesmo valor. Fica difícil entender quais critérios foram utilizados, pois nem nos consultaram para tomar essa decisão. Infelizmente algumas famílias foram injustiçadas, pois perderam praticamente tudo e os R$10 mil não vai resolver”, disse.




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A moradora ainda destaca as perdas que o dinheiro não será capaz de recuperar, como os registros de sua avó, que faleceu aos 92 anos, em 2020, e fotos de família. “A gente tinha um caderno onde minha avó relatava sua participação em eventos e projetos sociais. Presentes que ela ganhou no seu aniversário de casamento que nunca foram usados. Tinha fotos do meu aniversário de 15 anos e de viagens. Tudo isso se perdeu em meio a lama e nos deixou uma tristeza imensurável”, conta.


Para Victória, o dinheiro é uma forma de amenizar o sofrimento, mas ela espera mais do poder público. "Estamos cansados de obras paliativas. O que a comunidade quer é que seja feita uma obra definitiva para que a gente não sofra mais com isso, e que ela seja executada o mais rápido possível, antes da próxima chuva”, afirma.


Enquanto a obra não é feita, a moradora, que está grávida de nove meses, tenta seguir a vida, mesmo com as lembranças do que viveu espalhadas em seu lar. “Minha casa ficou um cheiro ruim, o piso da sala estufou e há marcas de lama na parede. São situações desagradáveis e que colocam em riscos a saúde e segurança da minha família”, conclui.


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