Cenipa revela o que provocou queda de helicóptero em Ouro Preto

Relatório aponta baixa visibilidade

Nesta semana, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgou informações sobre a queda do helicóptero Arcanjo 04, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, que caiu na Serra do Amolar, em Ouro Preto, em outubro de 2024. De acordo como Cenipa, o helicóptero caiu 56 segundos após a decolagem, em condições de visibilidade cinco vezes inferiores ao mínimo exigido para o voo, e deixou seis mortos.
Segundo o documento, identificado como Relatório Final A-144/CENIPA/2024, não foram encontradas falhas mecânicas na aeronave. O helicóptero estava com a manutenção em dia e operava dentro dos limites de peso estabelecidos. A investigação apontou uma combinação de condições meteorológicas desfavoráveis, deficiências na avaliação dos riscos antes da decolagem e problemas relacionados ao treinamento e à organização do trabalho na unidade aérea.
No dia do acidente, a equipe havia sido enviada a Ouro Preto para auxiliar nas buscas por um avião monomotor que caiu na região. Durante a operação, as condições do tempo levaram o piloto do Arcanjo 04 a realizar um pouso preventivo nas proximidades do trevo da BR-356.
Diante da dificuldade para continuar o voo, a tripulação chegou a solicitar um veículo para retornar a Belo Horizonte por via terrestre. No entanto, antes que o transporte chegasse, uma melhora momentânea nas condições meteorológicas levou a equipe a reconsiderar a decisão. Por volta das 17h45, os tripulantes optaram por decolar, avaliando que aquela poderia ser a última oportunidade de retornar de helicóptero antes do anoitecer.
Apenas 30 segundos depois de deixar o solo, a aeronave entrou em uma camada de nuvens, fazendo com que os pilotos perdessem a referência visual do terreno. Outros 26 segundos se passaram até o impacto contra o topo da Serra do Amolar.
Para reconstruir a sequência dos acontecimentos, os investigadores analisaram duas gravações: uma registrada por uma pessoa que estava em solo e outra feita por um dos ocupantes do helicóptero.
O Cenipa classificou a ocorrência como voo controlado contra o terreno. Esse tipo de acidente acontece quando uma aeronave em condições normais de funcionamento colide com um obstáculo ou com o solo sem que a tripulação consiga evitar o impacto.
Além das condições meteorológicas, o relatório apontou deficiências na preparação dos profissionais que atuavam na unidade aérea dos Bombeiros. Conforme a investigação, nenhum dos dois pilotos havia participado da edição de 2023 do treinamento de Gerenciamento de Recursos da Tripulação (CRM), voltado ao desenvolvimento de habilidades de comunicação, tomada de decisões e gerenciamento de situações críticas durante o voo.
Embora a capacitação seja exigida pelas normas da aviação, sua realização não era tratada como obrigatória pela unidade responsável pela operação do helicóptero.
Os investigadores também identificaram que os treinamentos internos priorizavam atividades relacionadas ao resgate, enquanto exercícios específicos de pouso e decolagem recebiam menor atenção.
Outro ponto registrado foi o acúmulo de atribuições e a sobrecarga de trabalho dos tripulantes. Apesar disso, o Cenipa não estabeleceu uma relação direta entre o possível cansaço da equipe e a ocorrência do acidente.



