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Descobertas, novidades e acessibilidade vão marcar a reabertura da Câmara de Mariana

Após a finalização do processo de restauro, o prédio será entregue ao poder legislativo no dia 02 de agosto. Já no dia 08 do mesmo mês, ele será reaberto ao público


Portal Ângulo

A primeira semana de agosto será marcada pela reabertura de um importante patrimônio histórico de Mariana: a Casa de Câmara e Cadeia. O prédio estava fechado desde 2020 para restauro e será entregue ao poder legislativo no dia 02 de agosto, em uma cerimônia de reabertura que contará com a presença de autoridades municipais, estaduais e federais, representantes da sociedade civil, entidades locais e da imprensa.


Após a cerimônia, no dia 07 do mesmo mês, as atividades legislativas serão retomadas no prédio e ele será aberto ao público, que poderá visitá-lo qualquer dia da semana, sendo 7h às 18h, de segunda a sexta-feira, e das 8h às 18h aos sábados, domingos e feriados. “Estamos ansiosos para este momento. Será um prazer ver o prédio funcionando, completamente restaurado e, o mais importante, com melhorias estruturais que vão garantir, por exemplo, acessibilidade”, destacou o presidente da Câmara membro da Comissão de Restauro, Fernando Sampaio.



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De acordo com Fernando, após solicitação dos vereadores, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) autorizou a construção de um elevador no prédio. “Abriram uma porta no lugar de uma janela, atrás do prédio, que dá acesso ao elevador. Também foi construída uma rampa e os banheiros foram adaptados. Essa restauração foi importante para preservar nossa história, mas também para garantir um direito dos cidadãos, que é ter acesso a um patrimônio que é de todos”, afirmou o presidente.


Fernando também explicou que para construir o elevador foi preciso utilizar duas salas e que, por isso, o administrativo funcionará em outro espaço. “Vamos alugar uma casa próximo, mas isso não vai impactar em nada nos trabalhos do legislativo”, disse, completando com uma novidade na parte inferior do prédio. “Teremos uma sala que vai contar a história de todo o legislativo de Mariana, ou seja, quem eram os vereadores que compunham aquela legislatura, os projetos que eles aprovaram e outras informações importantes. Tudo isso será registrado em um totem e será muito fácil de manuseá-lo”, disse.




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Descobertas


O processo de restauro da Câmara foi marcado também por descobertas, e não foram poucas. “Todo o espaço tem algum tipo de pintura decorativa debaixo das camadas de tinta branca, e elas são de vários tempos”, afirmou o restaurador, Adriano Luis Furini de Souza.


De acordo com Adriano, na sala de reunião foi encontrada uma pintura decorativa que, provavelmente, é de 1800. “É um falso marmorizado em tons de vermelho, preto e cinza. É uma pintura extensa, que será resgatada integralmente, porém, depois da entrega, pois é um processo artístico, que não estava incluso nos trabalhos”, explicou.


A3 Restauros


No plenário também foi encontrada uma pintura decorativa, porém, de outro período, possivelmente de 1940.


A3 Restauros


Além disso, o forro do plenário teve sua pintura original resgatada, que é um tom de verde claro.


A3 Restauros


Já na parede da sala de entrada, segundo Adriano, foi descoberto uma pintura stencil. “É uma técnica artística. Essa pintura é em tons de vermelho e cinza. Possivelmente ela foi feita na transição do Brasil Colônia para o Brasil Império, ou seja, na década de 30 para 40”, contou, informando que na sala dos ex-presidente também foi encontrada uma pintura idêntica ao do plenário, além de outras que podem ser de 1830. “Lá encontramos todas as camadas de pinturas artísticas. A primeira é um vermelho, a segunda é um verde claro com marrom, provavelmente de 1830, e depois temos uma de 1940 que é idêntica ao do plenário, só que em tons de vermelho”.


A3 Restauros


Já no primeiro pavimento da Câmara, debaixo das camadas de tinta foram descobertos imagens que, de acordo com o restaurador, foram feitas para marcar o tempo no espaço. “São desenhos, assinaturas e outros elementos de grafismo ou inscrições feitas nas paredes. Acreditamos que foram feitas por pessoas que ficavam ali no ócio ou que queriam fazer anotações, já que elas estão no corredor da cela, onde ficavam os guardas. Nossa proposta é colocar um vidro transparente por cima dessa descoberta para que os visitantes possam assinar nele, dando continuidade a essa narrativa”, informou.


A3 Restauros


Além das descobertas de policromia, ou seja, de pintura, Adriano falou de outras referentes a edificação. “Conseguimos desvendar como era o funcionamento da água e do esgoto. Esse é um dos primeiros prédios no Brasil que tinha água encanada, que vinha do São Pedro. A água de dentro das celas era encanada. Em relação ao esgoto, tinha um duto de água corrente no solo que limpava os excrementos do banheiro. Esse era um diferencial, pois nem na Casa do Conde de Assumar tinha essa sofisticação”, detalhou o restaurador.




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Adriano também destacou que um armário de livros que ficava em uma das salas da Câmara foi restaurado, revelando-se como uma preciosa obra religiosa. “Tratava-se de um retábulo de colocar imagens. Durante a restauração encontramos a imagem de uma coroa na parte de cima, uma pintura artística do período barroco. Provavelmente essa peça ficava na capela e, por algum motivo, foi retirada de lá. Após tantas pinturas, ele acabou perdendo seu significado e sentido religioso, sendo usado para outros fins”, contou.

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