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Desenhos com mais de dois séculos são descobertos em casarão histórico de Ouro Preto

  • Foto do escritor: Eliene Santos
    Eliene Santos
  • há 6 minutos
  • 2 min de leitura

Grafismos retratam cenas ligadas ao período da escravidão


Caroline Ferreira
Caroline Ferreira


Um conjunto de 26 desenhos foi descoberto durante obras em um casarão histórico localizado na Rua Conde de Bobadela, no Centro Histórico de Ouro Preto. Os grafismos estavam em uma parede de um porão subterrâneo estreito, úmido e de difícil acesso, permanecendo ocultos até intervenções realizadas recentemente no imóvel.


As imagens retratam cenas do cotidiano relacionadas ao período da escravidão no Brasil. Segundo pesquisadores envolvidos no estudo, as condições do ambiente, que permaneceu sem energia elétrica até a década de 1980, contribuíram para a preservação dos registros por mais de 200 anos.



O historiador e arqueólogo Leonardo Klink, que pesquisa o material em seu doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que os desenhos foram feitos sobre uma camada de argamassa aplicada à estrutura da residência, incluindo o porão subterrâneo. O revestimento é composto por materiais comuns em construções da época, como fibras vegetais e animais, areia, cal e argila.


De acordo com o pesquisador, os grafismos foram produzidos com instrumentos improvisados e incorporam fragmentos de vidro e louça descartados. O pigmento preto utilizado tem como principal componente o carvão. Parte das imagens só pôde ser identificada após o uso de iluminação especial e técnicas de tratamento digital.


Embora ainda não seja possível determinar com precisão a autoria ou a data exata dos desenhos, a principal hipótese dos pesquisadores é que eles tenham sido produzidos por pessoas escravizadas que viveram no imóvel entre os séculos XVIII e XIX, período marcado pela intensa exploração do ouro na região.


Segundo os estudos, os registros apresentam elementos ligados ao cotidiano e referências que remetem à memória do continente africano. Para os pesquisadores, o principal valor do achado está na dimensão humana preservada nas paredes do porão.


Um parecer técnico recomendou o cadastramento do local como sítio arqueológico denominado "Inscrições Afrodiaspóricas" no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 
 
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