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Disney+ prepara série documental sobre Aline Soares, estudante morta em Ouro Preto em 2001

Foto do escritor: Eliene Santos
Eliene Santos
há 5 horas
3 min de leitura

Quatro pessoas acusadas pelo crime foram absolvidas após julgamento


Divulgação
Divulgação


O assassinato da estudante Aline Silveira Soares, encontrada morta em Ouro Preto, em outubro de 2001, será tema de uma série documental do Disney+. A produção foi divulgada pela colunista Anna Luiza Santiago, do jornal O Globo, poucos dias depois de o crime completar 25 anos. O caso ganhou repercussão nacional, mas continua sem autoria esclarecida.


Segundo informações, a produção pretende revisitar as circunstâncias da morte e apresentar novos elementos de pesquisa sobre o episódio. Monica Albuquerque, responsável pela área de Conteúdo Local da Disney, afirmou que o projeto reúne material de pesquisa e novos achados que podem oferecer outra perspectiva sobre os acontecimentos. Até o momento, esses elementos não foram detalhados publicamente.


Aline tinha 18 anos e cursava Farmácia quando viajou para Ouro Preto para participar da tradicional Festa do Doze, evento ligado à comunidade universitária e realizado em outubro. Ela chegou à cidade em 11 de outubro de 2001, acompanhada de uma prima, Camila Dolabella Silveira, e de uma amiga. O grupo ficou hospedado na República Sonata.


Três dias depois, em 14 de outubro, o corpo da estudante foi encontrado no cemitério da Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia. De acordo com informações divulgadas durante a investigação, ela apresentava 17 perfurações provocadas por faca.

A posição em que o corpo foi encontrado levou os investigadores a considerar a possibilidade de um ritual. Durante as apurações, materiais relacionados ao jogo de interpretação de personagens Vampiro: A Máscara, uma modalidade de RPG, foram encontrados entre os pertences dos investigados. A partir disso, surgiu a hipótese de que o homicídio estaria relacionado a uma partida do jogo.


A associação entre o crime e o RPG ganhou grande espaço na cobertura jornalística da época. Entretanto, essa interpretação foi contestada pelas defesas durante o processo e não resultou em condenação. A relação entre o jogo e o assassinato não foi comprovada judicialmente.


Quatro pessoas foram levadas a julgamento pela acusação de envolvimento na morte da estudante: Camila Dolabella Silveira, prima de Aline, e Edson Aguiar, Maicon Fernandes Lopes e Cassiano Garcia, que moravam na República Sonata.


Nos anos seguintes ao crime, familiares e representantes legais da família questionaram aspectos da investigação. Em outubro de 2003, quando a morte completou dois anos, parentes e amigos participaram de uma manifestação em Ouro Preto para cobrar esclarecimentos. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais acompanhou a mobilização. Na ocasião, foram apontadas divergências entre o Ministério Público e a Polícia Civil sobre o cumprimento de diligências. O advogado contratado pela família questionou, entre outros pontos, a ausência de exames de DNA em vestígios encontrados em uma camiseta. A Polícia Civil, por sua vez, sustentou que havia cumprido os procedimentos solicitados.


Em outubro de 2006, uma decisão judicial manteve os quatro acusados no caminho do Tribunal do Júri. O julgamento, inicialmente previsto para outra data, sofreu adiamentos e começou em 1º de julho de 2009, quase oito anos após o assassinato.


Durante os cinco dias de julgamento, o Ministério Público sustentou a hipótese de que Aline havia sido morta em um ritual relacionado ao RPG. As defesas negaram o envolvimento dos acusados e questionaram a consistência das provas, a condução das investigações e a falta de elementos capazes de individualizar a participação de cada réu.

Também foram levantados questionamentos sobre os exames periciais e a possibilidade de a hipótese do ritual ter direcionado a apuração, deixando outras linhas investigativas em segundo plano.


Na madrugada de 5 de julho de 2009, o Tribunal do Júri absolveu os quatro acusados. Após o resultado, foram apontadas falhas na investigação policial como um dos fatores que prejudicaram o esclarecimento do caso. O Ministério Público recorreu da decisão, buscando anular o julgamento. Em 8 de junho de 2010, porém, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve as absolvições. Conforme a cobertura da época, a decisão considerou insuficientes as provas para atribuir a autoria do homicídio aos acusados ou determinar a participação individual de cada um. Com isso, nenhuma das pessoas julgadas foi condenada pelo assassinato de Aline, que permanece sem autoria esclarecida.


Em 14 de outubro de 2026, a morte de Aline completou 25 anos sem que a autoria do crime fosse esclarecida. A divulgação da série documental do Disney+ reacendeu a atenção sobre um dos casos criminais de maior repercussão em Ouro Preto. A expectativa é que a produção recupere informações sobre a investigação, o julgamento e os questionamentos que marcaram o processo.

 
 
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