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Funcionários da educação temem contaminação da Covid-19 durante distribuição de cestas básicas

Atualizado: Abr 16

A entrega de mais de 6 mil cesta é realizada pelas escolas. Mesmo com horários agendados, funcionários dizem que há aglomerações


O CEMPA é uma das escola com o maior número de alunos | Prefeitura de Mariana

Nos próximos dias, a prefeitura de Mariana irá iniciar a distribuição das cestas básicas para as famílias dos alunos matriculados na rede de ensino municipal e estadual. Serão 6 mil cestas com produtos alimentícios, higiene pessoal e limpeza. A distribuição será feita pelas escolas, conforme foi divulgado pela prefeitura, e isso assusta alguns funcionários, que temem se contaminar com o vírus da Covid-19.


“Meu maior medo é pegar o coronavírus, precisar de assistência médica e não ter. Tenho acompanhado os boletins epidemiológicos e sei que a situação na cidade é crítica. Não tem nem leitos de UTI para os pacientes. Tem gente morrendo na fila de espera”, disse a inspetora da Escola Dom Oscar, Ana Paula Salomé.


Além de temer por ela, Ana Paula teme por sua família e pelas famílias dos alunos. “Meu pai tem 63 anos e tem a imunidade baixa. Tenho um filho pequeno e vi que as crianças também estão sendo contaminadas com frequência. Deus me livre de levar o vírus para eles. Além disso, as próprias famílias dos alunos se colocam em risco ao ter que sair de casa quando estamos na onda roxa. Entendo que muitas famílias precisam e não estou me opondo a trabalhar, só acho que essa entrega deveria acontecer de outra forma”, ressaltou.


Mesmo com a entrega das cesta em horários agendados, como foi divulgado pela prefeitura de Mariana, funcionários alegam que há aglomerações. “Por mais que a gente se organize, sempre dá aglomeração. Em todas as entregas tivemos isso. Dá uma fila tremenda e não tem como controlar”, relata a inspetora da Escola Monsenhor José Cota, que atende cerca de mil alunos, Viviane Aparecida Salvador Faustino.



“Meu maior medo é pegar o coronavírus, precisar de assistência médica e não ter. Tenho acompanhado os boletins epidemiológicos e sei que a situação na cidade é crítica. Não tem nem leitos de UTI para os pacientes. Tem gente morrendo na fila de espera”.


Viviane tem uma irmã que é do grupo de risco e teme por sua saúde. “Tenho contato direto com a minha irmã, que é especial. A ajudo nas atividades escolares. Tenho medo por ela, por mim, pela minha família, pelas famílias dos alunos”, disse, destacando que os funcionários haviam sugerido que a entrega fosse feita de casa em casa. “Estamos na onda roxa e uma das orientações é evitar aglomerações. Se a entrega for feita na casa dos alunos, por exemplo, seguindo todos os protocolos, evitamos filas e ninguém corre o risco de se contaminar”.


Os funcionários da educação também se manifestaram nas redes sociais, cobrando um posicionamento da prefeitura de Mariana. “Por mais bem planejado e organizado que possa ser, sabemos, por experiência de todos os funcionários das escolas, que, com certeza, haverá um certo tumulto na entrega dessas cestas, colocando em risco de contágio os funcionários das escolas, bem como as famílias que irão receber. Me causou estranheza nessa determinação, o fato de que o decreto estadual e municipal autoriza determinados comércios considerados não essenciais trabalharem com delivery justamente para evitar essa propagação e aglomeração, mas os servidores das escolas e os responsáveis por esses alunos poderão correr esse risco? Será que a prefeitura vai descumprir um decreto, ao planejar essa entrega com a presença dos pais nas escolas? E o Comitê Gestor, concordou com essa estratégia? Não seria melhor seguir as determinações do decreto e fazer as entregas via delivery?”, publicou.


Diante da situação, entramos em contato com a prefeitura de Mariana, por meio de sua assessoria de imprensa, solicitando respostas como a possibilidade de repensar a logística de distribuição das cestas básicas. De acordo com a secretária de Educação, Carlene Ferreira de Almeida, "a rede municipal de ensino de Mariana conta, hoje, com 31 escolas, sendo que 14 são localizadas em distritos. Para a entrega da cesta no mês de abril, não há tempo hábil para outras possibilidades".


Segundo a secretária, foi solicitado às escolas que organizem a logística de entrega, seguindo as orientações do Comitê Gestor do Plano de Prevenção e Contingenciamento em Saúde - COVID-19. "Salientamos que, para segurança das pessoas envolvidas no processo de entrega e recepção das cestas básicas nas Instituições de Educação Municipais, foi desenvolvida uma cartilha sobre manuseio de materiais neste período de pandemia, em parceria com o Comitê. Neste momento, em que muitas famílias necessitam desse apoio alimentício, em que muitos de nossos alunos estão privados da necessidade básica de alimentação, não poderíamos deixar de nos mobilizar da melhor forma possível", informou.


BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO - De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela prefeitura de Mariana, até esta terça-feira, 30, a cidade havia registrado 9516 casos de pessoas contaminadas, sendo 56 óbitos. A taxa de ocupação dos leitos de Covid-19 se encontra da seguinte maneira:


Leitos Clínicos de Ampliação (21 leitos) - 19%

Hospital Monsenhor Horta - Clínica Médica (10 leitos) - 100%

Isolamento Santa Casa de Ouro Preto (8 leitos) - 75%

UTI Santa Casa de Ouro Preto (17 Leitos) - 100%