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“Jogaram o carro em cima de mim”, diz jovem que afirma ter sido agredido pela Guarda de Mariana

Victor contou que, mesmo com a perna machucada, recebeu chutes de um dos guardas


Reprodução | Redes Sociais


Um jovem de 25 anos afirmou ter sido agredido pela Guarda Civil de Mariana no último sábado, 11, em Padre Viegas, distrito de Mariana. Victor Luciano de Castro Mendes contou que estava de moto quando os agentes jogaram a viatura em sua direção. “Não pediram para parar, não houve perseguição, não falaram nada, simplesmente jogaram o carro em cima de mim. Eu me assustei com a situação”, disse.


Victor contou que a ação da Guarda Civil fez com que ele batesse em um ponto de ônibus, o que lhe causou sérios ferimentos. “Cortei o nervo da perna e fiquei com um buraco. Perdi bastante sangue. Fiz enxerto e terei que tomar um remédio caro, além de fazer fisioterapia. Sem falar que a dor é insuportável”, afirmou, destacando sua maior preocupação no momento. “Preciso manter repouso absoluto e trabalho como autônomo. Como vou trabalhar? Tenho duas crianças para cuidar e minha esposa está grávida de oito meses”.





O jovem relatou também que os guardas agiram de forma truculenta mesmo depois de sua queda. “Eles desceram da viatura com armas. Eu me assustei e corri para próximo das pessoas, para que todos pudessem ver o que estava acontecendo. Mesmo assim, me chutaram e um deles colocou a arma na minha boca. Também foram agressivos com minha família, que queria entender o motivo de tanta violência”.


Uma das tias do jovem, que preferiu não citar seu nome, também moradora do distrito, foi até o local em que o jovem estava minutos depois do que havia acontecido e se assustou ao ver a perna do sobrinho. “Achei que ele tinha tomado um tiro na perna devido ao tanto de sangue. Só de perto percebi que não era. Fizeram uma covardia com ele. Ainda que fosse uma abordagem para ver a documentação da moto, se ele tinha habilitação ou não, não precisava de agir dessa forma. Poderiam ter matado ele”, disse.


A tia contou que um dos guardas, que a conhece, disse que o jovem foi confundido com outra pessoa. “Me falou que receberam uma denúncia de que havia um rapaz no distrito em uma moto branca e preta que estava armado. Mas nunca que eles poderiam fazer o que fizeram. Se suspeitava do meu sobrinho, o certo era dar ordem de parada e averiguar. E numa situação como essa, de alguém armado estar circulando por Padre Viegas, o correto não seria eles estarem acompanhados da Polícia Militar? Trataram meu sobrinho como bandido, tanto que ficaram no hospital durante o tempo que ele ficou lá. Na minha opinião, total despreparo desses guardas”.


A tia do jovem informou que será feito um Boletim de Ocorrência e que irão apresentar o fato para a Comissão dos Direitos Humanos da Câmara de Vereadores da cidade para solicitar a apuração e, se possível, o afastamento dos agentes. “O que aconteceu com ele não pode acontecer com mais ninguém. Pessoas que deveriam zelar por nossa segurança não podem nos maltratar. Espero que sejam responsabilizados por essa crueldade”, concluiu.




Em contato com a prefeitura de Mariana, a Guarda Civil informou que foi motivada a ir ao distrito após receber denúncias de roubo em uma obra e que durante o patrulhamento avistou o jovem em alta velocidade. “O motociclista não obedeceu ordem de parada, iniciou fuga e, ao perder a direção, colidiu em um ponto de ônibus. Ele continuou a fuga a pé e foi abordado pela GCM a cerca de 600 metros do acidente”, disseram.


A prefeitura também informou que o jovem não possuía carteira de habilitação e que sua moto foi levada para o pátio credenciado. Além disso, destacaram que durante a ocorrência, uma pessoa foi presa. “Houve aglomeração de pessoas e um homem, de 40 anos, recebeu voz de prisão por desacato e ameaça aos agentes da Guarda Municipal. Ele foi conduzido para a delegacia de Polícia Civil”.


Questionados sobre a maneira como os agentes agiram com o jovem, a prefeitura informou que a secretaria de segurança pública “está apurando se houve excesso na abordagem da Guarda Civil”.


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