Principal ponto turístico de Cachoeira do Brumado é interditado por ofertar risco de contaminação

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente de Mariana, os banhistas podem contrair xistose, uma doença parasitária


De acordo com a placa, a água está imprópria para banho, com alto risco de contaminação | Sérgio Lana

No início da semana, fomos informados sobre uma placa fixada próximo a queda d’água em Cachoeira do Brumado, distrito de Mariana. A placa afirma que a água está imprópria para banho, com alto risco de contaminação de esquistossomose, doença parasitária, também conhecida como xistose.


A notícia deixou grande parte dos moradores indignados, principalmente com o poder público. “Acho um absurdo um dos principais pontos turísticos do município, que é conhecido nacionalmente, está nesse completo abandono por parte da prefeitura. Qualquer outra cidade gostaria de ter esse distrito fazendo parte do seu município. Além de ser um local com muitas belezas naturais, Cachoeira do Brumado é conhecida pelo artesanato e se destaca no cenário acadêmico, pois grande parte dos moradores possuem nível superior”, ressaltou o morador Luciano Ramos.


Luciano também criticou a prefeitura por não dar a devida atenção ao local. “Há uns anos, começaram a construir fossas sépticas, porém, não deram continuidade. As comunidades que existem acima da queda estão crescendo e não tem nenhum tipo de fiscalização ou de controle pela prefeitura. Esse descaso fez com que fechassem a nossa principal área de lazer”, disse.



"Com a cachoeira fechada, as pessoas que nos visitavam, deixarão de vir. É triste pensar, mas, infelizmente, muitos serão prejudicados por isso”.


De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente de Mariana, após análises microbiológicas constantes nos autos do processo de número 0400.01.004298-6, movido pelo Ministério Público contra o município, ficou constatado que a água da cachoeira não está apropriada para banho. Segundo eles, as primeiras análises foram realizadas em 2001, pelo SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto). Além disso, a Fundação Gorceix realizou um estudo amostral em 2013, também constante do processo judicial.


A Secretaria ressaltou que existem dois projetos que visam a descontaminação do córrego do Brumado. O primeiro irá tratar o esgoto de Padre Viegas, distrito situado acima da cachoeira. Já o segundo, visa o tratamento das comunidades de Cafundão e Mamonas, também localizadas acima da queda.


A cachoeira atrai turistas de diversas cidades, o que, consequentemente, movimenta a economia local. Com a interdição, os moradores temem por uma queda na receita. “Com a cachoeira fechada, as pessoas que nos visitavam, deixarão de vir. É triste pensar, mas, infelizmente, muitos serão prejudicados por isso”, afirmou Luciano.