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Carnaval 2022: qual o posicionamento das cidades da região dos Inconfidentes?

Atualizado: 15 de dez. de 2021

Em meio às possibilidades de que aconteça maior festa popular do Brasil, o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais se posiciona contra sua realização


O bloco Zé Pereira dos Lacaios é símbolo do carnaval de Ouro Preto | Ane Souz

Com o avanço da vacinação em Itabirito, Ouro Preto e Mariana, a pergunta que não sai da boca da população é: em 2022 teremos o carnaval? Faltando um pouco mais de 85 dias para comemorar a maior festa popular do Brasil, algumas cidades da região dos Inconfidentes já se manifestaram sobre a possibilidade de realizar ou não o carnaval no município.


A prefeitura de Itabirito, por exemplo, iniciou, no dia dia 24 de novembro, uma consulta pública para ouvir a opinião da população e decidir se o município terá o carnaval de rua e até mesmo se irá liberar o evento organizados por grupos privados em 2022. Os moradores da cidade podem opinar de forma on-line ou presencial até o dia 9 de dezembro.





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Em uma nota divulgada pela prefeitura, o prefeito destaca que o resultado da consulta, bem como os índices epidemiológicos, serão fundamentais para decidir sobre a realização do carnaval em 2022. “No momento, temos um número de vacinados crescente, e o sistema de saúde tem suportado, sem colapso, as demandas relacionadas à Covid-19. Mas falar de Carnaval é falar de futuro, de mais pessoas nas ruas. Justamente por isso, além de consultar a população de Itabirito, seguiremos monitorando os índices epidemiológicos antes de, efetivamente, tomar a decisão”, destaca o prefeito Orlando Caldeira em uma nota publicada pela prefeitura.


Já a prefeitura de Ouro Preto estuda a possibilidade de realizar o carnaval na cidade. De acordo com uma nota publicada em seu site, o município não descarta as comemorações no próximo ano, mas ainda não tem um planejamento pronto para que as pessoas voltem a ocupar as ruas, acompanhando os blocos.


Em outra nota, onde a prefeitura apresenta a nova secretária de Turismo, Indústria e Comércio, Margareth Monteiro, a gestora da pasta enfatiza a possibilidade de realizar não só o carnaval, mas também o natal. “Temos dois grandes desafios, o natal e, logo em seguida, o carnaval, que já está em análise a melhor forma de realizá-lo. Estamos nos preparando para que ele aconteça de um modo mais simples e seguindo alguns protocolos, por exemplo, o passaporte, que será o cartão de vacina e garante livre acesso à todas atividades festivas da cidade”, disse Margareth.





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Enquanto a prefeitura cogita a realização do evento, a Liga dos Blocos, que estima receber cerca de 30 mil pessoas no carnaval de 2022, segue a todo vapor. Em suas redes sociais, assim como no site, o grupo vem divulgando as vendas dos lotes para a festa carnavalesca desde outubro deste ano.


Normalmente, o carnaval organizado pela Liga dos Blocos acontece no estacionamento do Centro de Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Entretanto, em uma reunião do conselho universitário da Universidade, realizada no dia 29 de julho de 2021, a direção decidiu não autorizar a realização da festa em qualquer espaço que pertença à UFOP.


O portal Ângulo tentou entrar em contato com os organizadores para saber se já tinham definições sobre o espaço onde será realizado o carnaval da Liga e, principalmente, solicitar um posicionamento sobre as medidas de segurança durante os dias de festas, mas não conseguimos. Desse modo, nos comprometemos a atualizar a matéria caso seja possível algum contato.


Das três prefeituras, a de Mariana foi a única que ainda não divulgou nada oficial a respeito do carnaval, além disso, também não nos retornou com as respostas que solicitamos ao departamento de comunicação. Entretanto, em uma matéria divulgada pelo Estado de Minas, há informações de que a secretária de Cultura, Andrea Umbelino, afirma que vai seguir o programa Minas Consciente e acompanhar a situação epidemiológica na cidade.





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Segundo a matéria, Andrea diz que, se for permitida a realização do carnaval, a prefeitura dará todo apoio necessário para realização do evento, como montagens de palcos, assistência aos blocos e repasse financeiro às escolas de samba da cidade.


Mesmo sem um posicionamento oficial da prefeitura, um dia antes da matéria do Estado de Minas ser divulgada, o prefeito interino de Mariana, Juliano Duarte, postou em suas redes sociais fotos de uma reunião com a diretoria de um bloco carnavalesco da cidade. Segundo a postagem, a reunião era para definir a viabilidade da realização do carnaval. “Estamos definindo a viabilidade das festividades do Carnaval 2022 e uma de nossas preocupações é a organização dos blocos e o cuidado com o folião neste momento de pandemia. Foi pontuada toda a logística e fiquei impressionado com o cuidado com a construção e desenvolvimento do evento. Deixo registrado meu agradecimento pela procura da administração e o meu reconhecimento pela seriedade na condução da organização do bloco”, diz Juliano.


A postagem rendeu diversos comentários, sendo que a maioria era de pessoas que são contra a realização do carnaval na cidade. Veja:








Quem também manifestou ser contrário a realização do carnaval, foi o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG). Por meio de uma nota, a Sinmed-MG demonstrou preocupação, alertando para um possível aumento de casos positivos, caso as cidades realizem festas de grande porte, como o carnaval e as festas de fim de ano. Confira na íntegra:


“O Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), em apoio a Federação Médica Brasileira (FMB), entidade na qual o sindicato está vinculado e que tem a maior representatividade médica nacional, reforça seu posicionamento contrário à liberação das festas de final de ano e o carnaval 2022.


Nossa entidade acredita que o momento, mesmo com a redução nos números da Covid-19 no país, ainda precisa de alerta, pois a Europa vive uma quarta onda da doença, com a chegada da nova variante Ômicron e com a flexibilização de medidas que acabam aumentando os casos da doença.


Vivemos um momento no qual é essencial manter as medidas preventivas contra a Covid-19 e reforçar a ampliação na vacinação no país, para coibir a doença. Entendemos assim que a realização de festividades com aglomerações tende a agravar o cenário da doença.


Vamos manter nossos cuidados! Sem aglomerações, sem festividades. Vamos continuar usando as máscaras e manter a higiene. Sua vida vale muito e manter sua saúde precisa ser uma prioridade.”


OPINIÃO DE ESPECIALISTA

Diante do atual cenário da Covid-19, indefinições das prefeituras e questionamentos da população, o portal Ângulo entrou em contato com o pneumologista e intensivista, Maurício Meireles Góes, para pedir sua opinião a respeito da realização do carnaval.


De acordo com o profissional, o momento não é propício para esse tipo de evento. “A população precisa ficar em alerta, pois não é o momento de festas de grande porte, como o carnaval. O ambiente desses lugares não podem ser controlados. Ou seja, não tem como cobrar cartão de vacina ou o teste negativo para Covid-19. Infelizmente, o risco de contaminação aumenta muito em função dessa aglomeração”, disse.





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Maurício também pontuou que com a descoberta da nova variante ômicron, o cenário se torna ainda mais preocupante. “A nova cepa já está no Brasil e, provavelmente, deve estar circulando por aí. É uma variante que tem mais de 50 mutações e essas mutações facilitam a transmissibilidade do vírus. A possibilidade de circulação do vírus aumenta muito porque essas mutações têm o objetivo de despistar os mecanismos de defesa do organismo”, explicou.


O pneumologista e intensivista teme que a realização do carnaval possa ocasionar uma nova onda no país. “O nosso medo é que flexibilizem essa festa e uma nova onda, como acontece na Europa, comece a lotar os hospitais. Na segunda onda que tivemos, os hospitais, médicos e equipes de saúde passaram por momentos de muita dificuldade. É por isso que acreditamos que não estamos no melhor momento para festas como o carnaval”, concluiu.



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