Cerca de­ 70 cachorros vivem em situação precária, em Ouro Preto, após adoecimento de sua tutora


Há mais de duas semanas que os animais vivem sozinhos, sem receber os cuidados necessários que garantem sua a saúde e bem-estar


Os cachorros estão divididos em dois espaços, ambos responsabilidade da mesma pessoa | ONG IDDA

A situação de cerca de 70 cachorros é preocupante, em Ouro Preto. Há mais de duas semanas que os animais vivem sozinhos, divididos em uma residência e em um terreno, sem receber os cuidados necessários. Segundo informações, a responsável pelos cachorros está hospitalizada desde o dia 13 de junho e, nem a família, nem os órgão públicos da cidade, assumiram a responsabilidade direta de cuidar deles.


Diante dessa situação, algumas pessoas e vizinhos se mobilizaram para alimentá-los, porém, ainda não era suficiente, levando em consideração o grande número de animais. Preocupados, entraram em contato com a ONG IDDA (Instituto de Defesa dos Direitos dos Animais), que arrecadou e doou mais de seiscentos quilos de ração. “Recebemos várias mensagens da população, pedindo nossa ajuda. Logo, fizemos contato com todas as partes para saber a real situação e, em visita até os locais, vimos o quão urgente e delicada era. Fizemos o resgate de quatorze animais que estavam em risco iminente”, disse a presidente da ONG, Luciana Salles.



"Esses animais precisam de uma atenção maior. O ideal seria monitorá-los clinicamente, castrá-los, prezar pelo bem estar e segurança deles. Para isso, é preciso alguém que faça esse acompanhamento diário. Eles precisam de um auxílio ampliado urgente”.


De acordo com a presidente, a ajuda, principalmente de uma amiga e vizinha da responsável pelos animais, tem sido fundamental neste momento. “Em relação aos cachorros que estão na residência, a Lúcia tem nos ajudado a cuidar deles. Já no terreno, Gi, uma das nossas voluntárias é que os alimenta, com a ajuda de uma vizinha, mas estamos muito preocupados com os animais que ficam nesse espaço, pois, além de aberto, é muito próximo à BR”, ressaltou.


Luciana destacou que a ONG IDDA está ajudando no é possível, porém, não tem como assumir as responsabilidades, visto que os cachorros precisam de cuidados maiores e frequentes. “Realizamos um trabalho voluntário muito ampliado nas duas cidades e a sobrecarga é enorme. Esses animais precisam de uma atenção maior. O ideal seria monitorá-los clinicamente, castrá-los, prezar pelo bem estar e segurança deles. Para isso, é preciso alguém que faça esse acompanhamento diário. Eles precisam de um auxílio ampliado urgente”, afirmou.


PODER PÚBLICO - De acordo com Luciana, a ONG IDDA enviou um ofício ao Ministério Público de Minas Gerais, à Secretaria de Meio Ambiente do Estado e ao Ministério Público de Ouro Preto denunciando a situação. Além disso, solicitaram, também, aos representantes públicos municipais, que o poder executivo tomasse providências para que os animais recebessem os devidos cuidados de imediato. “Cobramos do município e também da família um posicionamento, para que fizessem algo emergencial até que tudo se resolva pelos meios legais”, disse a presidente.


A equipe do Portal Ângulo entrou em contato com a prefeitura, por meio da sua assessoria de comunicação, questionando sobre quais medidas seriam tomadas, por eles, em relação ao caso. Entretanto, até o fechamento desta matéria não tivemos retorno. Entramos, também, em contato com Elisa Perdigão, sobrinha da responsável pelos animais, para saber se os familiares teriam interesse em assumir os cuidados. Segundo ela, o caso segue na justiça. “A família acionou o judiciário para ter respostas mais concretas. Posso afirmar que estamos empenhados, junto ao poder público, para solucionar a situação e garantir o bem estar dos animais”, afirmou.


De acordo com Luciana, na última sexta-feira, 26, houve uma reunião com a família da tutora e seu advogado, representantes da secretaria de saúde (vigilância e zoonoses), a ONG IDDA e Cãopaixão, para definirem medidas paliativas e emergenciais, como limpeza de um dos locais e esterilização dos animais pela prefeitura. “Ficou definido que a família arcará com a ração para um mês. Esperamos que os meios legais de responsabilização dos animais, que também sentem e sofrem, seja efetivado da melhor maneira possível e que a tutora deles não sofra, ainda mais impactos em sua saúde, por medidas extremas”, ressaltou a presidente.

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