Construção de faixa elevada no entorno do Jardim divide opiniões dos marianenses

A obra, cobriu de concreto um trecho do calçamento centenário do centro, que faz parte do núcleo histórico, tombado pelo IPHAN, desde 1938


A intervenção faz parte do projeto de revitalização da Praça Gomes Freire, executada pela Renova | Reprodução

A construção de uma faixa elevada para travessia de pedestre na Rua Barão de Camargos, que dá acesso à Praça Gomes Freire, também conhecida como Jardim, está sendo um dos assuntos mais comentados na internet, durante a semana. A obra, cobriu de concreto um trecho do calçamento centenário do centro, que faz parte do núcleo histórico, tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) desde 1938, e dividiu opiniões nas redes sociais.


“Coitada da nossa cidade que era histórica. Coitado de quem depende do turismo daqui. Uma praça totalmente estilizada no meio de uma cidade histórica. E assim morre um pouco da crença e da felicidade dos marianenses. Vergonha e indignação”.

“Fiquei pensando, não seria um projeto de inclusão? Tenho uma irmã de 32 anos e com múltiplas deficiências. Ela nunca se sentou no banco da praça. Penso que Mariana é uma cidade histórica e, por isso mesmo, com muitos desafios para incluir. Passeios irregulares, ruas que não podem ser asfaltadas, mas temos que pensar em como tornar nossa cidade mais bonita e inclusiva”.

A intervenção faz parte do projeto de revitalização da Praça Gomes Freire, executada pela Fundação Renova, e está dentro do plano de investimento de R$ 100 milhões, anunciados pela instituição com ações de compensação no município. Em contato com a Fundação, por meio de sua assessoria, a empresa destacou que a obra “tem por objetivo possibilitar a acessibilidade universal da praça”. A Renova também ressaltou que todos os projetos que estão sendo executados, no centro histórico do município, foram aprovados pelo IPHAN e pela prefeitura de Mariana.


Mesmo com a autorização do IPHAN, a faixa deverá sofrer adaptações. “Ao tomar ciência de que o material usado não estava de acordo, o Escritório Técnico do IPHAN, em Mariana, prontamente oficiou a prefeitura e a Fundação Renova, gestora e executora da obra, respectivamente, para a substituição do material. As rampas acessíveis serão de seixos rolados, seguindo o padrão de pavimentação existente, e a plataforma da travessia será executado em quartzito, seguindo o padrão de calçamento da praça”, destacou o Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.


PODER PÚBLICO - De acordo com o prefeito Duarte Júnior, o poder público tinha conhecimento sobre as intervenções da Fundação Renova, no Jardim. "Quando se executa uma obra, não podemos fugir da nossa responsabilidade. O projeto foi apresentado à prefeitura, ao IPHAN, à Câmara e à população, que inclusive, solicitou modificações, que foram feitas. Não tivemos a percepção de entender que a faixa seria prejudicial para a imagem da Praça, como um todo", disse.


Duarte também destacou a importância da construção da faixa de pedestre. "A obra, sem dúvidas, trará benefícios para Mariana. Eu também tenho minhas críticas em relação a passarela, pois ele prejudicou a beleza do espaço, porém, não é nada que não possa ser corrigido, como será. Vamos adequar e garantir o que queremos, que é a acessibilidade, um direito de todos”, afirmou.


OPINIÃO DO ESPECIALISTA - Para a arquiteta, Byanca Freitas dos Reis, a intervenção se faz necessária, porém, ela deve ser feita sem descaracterizar o patrimônio. “É indiscutível que as cidades tendem a se modernizar com o passar dos anos, mas não podemos ignorar a importância da preservação do patrimônio histórico, esse que representa a identidade cultural do município e materializa nossa história", disse.


A arquiteta destacou a importância da acessibilidade, o que, também, poderia ser feito mantendo o aspecto histórico de Mariana. "É importante dizer que existem normas e leis que asseguram o direito à acessibilidade para que pessoas com deficiência e mobilidade reduzida também usufruam dos espaços públicos. Logo, é de extrema importância identificar meios que garantam esse direito. No caso da Praça Gomes Freire, a solução mais viável seria a travessia elevada. Porém a alternativa mais adequada seria manter na travessia a mesma materialidade das ruas do entorno ou utilizar um material similar, que concorde com o aspecto histórico da cidade”, ressaltou.


Byanca considera que houve falhas dos responsáveis pela obra. “Faltou uma atenção adequada por parte de todos os envolvidos durante a análise, aprovação e execução desse projeto, de forma que fosse levado em consideração tanto as formas de acessibilidade quanto a arquitetura patrimonial do local”, destacou.


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