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Mariana: após restauração, igreja de São Francisco de Assis é preparada para ser reaberta

O templo foi interditado pela prefeitura de Mariana em maio de 2012, devido problemas na cobertura e na sua estrutura


Prefeitura de Mariana

Depois de pouco mais de 11 anos, a igreja São Francisco de Assis, em Mariana, reabrirá as portas aos marianenses e turistas. Segundo uma publicação feita nas redes sociais pelo novo secretário de cultura, Cristiano Vilas Boas, o templo do século 18 será reaberto no próximo mês e contará com a presença da ministra da cultura do Brasil, Margareth Menezes. Entretanto, o padre Geraldo Dias Buziani, titular da Paróquia Nossa Senhora da Assunção, à qual está vinculada a igreja de São Francisco, informou que a data de reabertura não está confirmada. “Estamos fazendo uma adequação de agenda entre a Arquidiocese, o IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Nacional -, o governo Federal e a prefeitura de Mariana”, disse.




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Ainda de acordo com padre Geraldo, a Ordem Terceira Franciscana de Mariana, em conjunto com a Arquidiocese, estão organizando uma programação especial, como uma missa festiva e outras atividades alusivas à abertura. “A programação será definida assim que fecharmos o dia da reabertura, e, assim, poderemos convidar todos da cidade para celebrar esse marco importante para a revitalização da religiosidade e da fé da comunidade marianense”, destacou.


A igreja São Francisco de Assis foi interditada pela prefeitura de Mariana em maio de 2012. Na época, ao jornal Estado de Minas, a secretária municipal de cultura, Walkíria Carvalho, havia informado que a medida foi tomada a partir de um laudo do IPHAN, que apontou problemas na cobertura e estrutura do prédio.


O documento, feito por um engenheiro da Superintendência do Iphan em Minas, mostrava comprometimento da estrutura de madeira existente na capela-mor, devido à ação de umidade do solo e infestação de cupins, bem como infiltração de águas pluviais nas abóbadas do coro e corredores laterais. Já no arco do cruzeiro, havia trincas nas cimalhas, revelando movimentação estrutural, enquanto na cobertura foi identificado um abatimento, sugerindo instabilidade e deterioração intensa. Na época, elementos, como forros e pisos, também estavam com degradação da estrutura, originada pela ação de cupins e umidade.


Hoje, depois de pouco mais de 11 anos, a restauração está concluída com direito a grandes descobertas, conforme conta Silvio Luiz Rocha Vianna de Oliveira, coordenador da restauração dos elementos artísticos da igreja. “As rocalhas da parte de dentro do altar estavam escondidas por uma camada de tinta. Só tinha medalhão da parte central e as rocalhas estavam pintadas com tinta branca. Foi possível remover essa tinta e resgatar a pintura original, que é do Manuel da Costa Ataíde”, disse.




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Silvio também falou de outras descobertas que valorizaram ainda mais o templo. “As colunas externas estavam pintadas de branco e escondiam o marmorizado avermelhado do século 18. Não fazíamos ideia desse marmorizado, que é muito lindo”, contou.


O coordenador da restauração dos elementos artísticos também comentou sobre descobertas na capela do santíssimo, que foram, para ele, grandes surpresas. “Na parte central do medalhão, conseguimos fazer a remoção da tinta e deixar a pintura mais leve, mais bonita. Tinha uma auréola branca no entorno de Nossa Senhora, e ao removê-la apareceu um resplendor. Também removemos a tinta do altar da capela do santíssimo e apareceram florais de fundo que não conhecíamos. Tudo muito lindo. Fico feliz por participar dessa restauração”, destacou.


Veja algumas fotos compartilhadas por Sílvio e também por Lélio Pedrosa, coordenador de patrimônio histórico de Mariana:




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História


Em 5 de julho de 1761, após receber autorização do bispo diocesano dom Frei Manuel da Cruz, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência decidiu edificar sua igreja. Inicialmente, o projeto escolhido foi do padre José Lopes Ferreira da Rocha, e a execução do arquiteto José Pereira dos Santos . Mas outro projeto foi proposto pelo arquiteto José Pereira Arouca, que arrematou a “obra de pedra e cal da igreja”. Dois anos depois, em 15 de agosto, a pedra fundamental foi lançada. Ao lado de Arouca, também enterrado na igreja, trabalharam o marceneiro Manuel Duarte de Oliveira, o carpinteiro Manuel da Silva Benevente e o entalhador Luiz Pinheiro.


A primeira missa foi celebrada em dezembro de 1777, quando começou uma série de intervenções. Já em 1794, a igreja foi concluída e entregue pelo irmão Miguel Teixeira Guimarães, administrador da obra. No período de 1791 a 1825, entre os oficiais que edificaram e ornamentaram a igreja, estava o pintor Manuel da Costa Ataíde, figura notável do barroco mineiro e responsável pelo douramento do retábulo do altar-mor, do trono, do tabernáculo e do altar de Santa Isabel . Os painéis do forro da sacristia e do teto do corpo da igreja são de autoria desconhecida, embora haja dados a respeito de um pagamento efetuado em 1816-1817 pelas pinturas da sacristia.


Diferentes pintores contribuíram na execução das obras, como Francisco Xavier Carneiro, professor que examinou as obras de Ataíde, João Lopes Maciel, José Luís de Brito, José Joaquim do Couto, Francisco Moreira de Oliveira e João Nepomuceno Correa e Castro. Outro artista renomado que trabalhou na capela de São Francisco foi Francisco Vieira Servas, considerado um dos mais importantes da fase áurea dos retábulos e imagens religiosas da Capitania de Minas.


A igreja de São Francisco de Assis está localizada no centro histórico de Mariana: a Praça Minas Gerais. Ela e outros monumentos formam um dos cartões-postais mais simbólicos e bonitos do estado.



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