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A responsabilidade social de tutores de animais de estimação

Por Marcelo Silva Camêlo

Jornalista e assessor de comunicação e imprensa da Clínica Veterinária Habitat, em Mariana


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Responda uma pergunta antes de continuar a leitura: se você tem um animal de estimação, o que ele representa para você? Se a sua resposta foi algo parecido com “meu pet é como se fosse parte da família”, este texto pode ser de muita ajuda para você. A equipe médica da Clínica Veterinária Habitat traz algumas dicas, responsabilidades e reflexões sobre os cuidados que os tutores devem ter com os seus animais de estimação.


A evolução histórica da nossa humanidade nos revela como a relação entre humano e animais se desenvolveu e, atualmente, toma rumos mais afetivos. Entendia-se como cães de caça, por exemplo, animais que auxiliavam os humanos na busca por alimentos. Em troca, o animal recebia uma recompensa pelo “trabalho” feito. Atualmente, mesmo que ainda existam culturas que utilizem cães para a caça, a evolução das grandes cidades e meios urbanos trouxe uma nova realidade: o animal de estimação.


Sugerimos o cachorro como um exemplo, no entanto, este material busca atingir todos que possuem um animal de estimação. Seja ele um cão, um gato, um pássaro, um peixe, ou até mesmo um animal silvestre, desde que você tenha autorização do IBAMA para tutorá-lo. Os animais de estimação que se encontram nas casas de famílias como a sua, leitor, são seres sencientes, ou seja, capazes de perceber através dos sentidos, como amor, tristeza, carinho e medo. Trazendo a discussão para o lado afetivo, esses animais de estimação merecem cuidados específicos e uma atenção diferenciada, principalmente quando falamos no assunto médico.


Acabei de adotar um animal de estimação, qual o primeiro procedimento devo fazer? A partir do momento que você adota um animal de estimação, você está se responsabilizando pela vida e o bem-estar de um ser vivo. Você terá a posse de um animal, que é capaz de sentir amor, saudade, carinho, medo e angústia, assim como você, humano. Depois de perceber isso, o primeiro procedimento a se fazer é perguntar sobre o histórico médico do animal, caso você tenha adotado em alguma feira de adoção, por exemplo. Pergunte sobre a carteira de vacinação e vermifugação. Se ele é um animal que você resgatou na rua, marque uma consulta com um médico veterinário de sua confiança para fazer exames e descobrir se o animal tem alguma doença, ou alguma condição médica.


Após levar o animal para fazer exames laboratoriais, o médico veterinário vai te dizer quais são as vacinas e os vermífugos que você deverá aplicar no seu pet. Algumas vacinas são obrigatórias, pois se tratam de doenças que os animais podem passar para os humanos, conhecidas como zoonoses. A mais conhecida é a vacina antirrábica. Popularmente conhecida como ‘raiva’, a hidrofobia acomete em humanos e na grande maioria dos casos é fatal. O vírus ataca o sistema nervoso e pode causar até mesmo paralisia. Dependendo da cidade onde você mora, algumas vacinas opcionais se tornam obrigatórias. Portanto, fique atento aos comunicados da prefeitura do seu município.


Após exames médicos com um veterinário da sua confiança, vacinação e vermifugação, um procedimento muito adequado para o bem-estar, tanto do animal, quanto do tutor, é a castração. Não se informe através de canais duvidosos, pois existem muitas notícias falsas e desinformação sobre a castração em animais de estimação. A ciência e a comunidade médica veterinária ainda defendem a prática, desde que ela seja feita de forma responsável e adequada.


Quais as vantagens de uma castração responsável em cães e gatos? Para que você tome essa decisão muito importante, é necessário que seja explicado quais são as vantagens da castração. O principal objetivo é fazer com que você não se apegue a notícias falsas, ou desinformação. Porém, no final das contas, a escolha sempre vai ser sua. Mas, que ela seja feita a partir de alguma informação sensata.


Um questionamento que se ouve muito trabalhando em uma clínica veterinária: “Eu acho muita sacanagem castrar o bichinho e fazer ele perder um órgão”. Vamos trazer algumas explicações valiosas, que podem, talvez, mudar esse pensamento. A castração responsável impede que o seu animal de estimação, um membro importante da sua família, desenvolva doenças que são ligadas aos órgãos sexuais, ou órgãos internos. Reduz o risco de enfermidades mamárias e uterinas, tanto em machos quanto em fêmeas. Algumas doenças acometem apenas as fêmeas, como doenças ligadas aos ovários, neoplasia (câncer) e a piometra, que são infecções no útero.


Uma castração responsável também previne doenças como: pseudociese (mais conhecida como gravidez psicológica), hipertrofia mamária felina (crescimento excessivo das glândulas mamárias) e estro persistente (cio prolongado). Também previne distúrbios testiculares em machos, tais como: neoplasias (câncer), orquites (inflamação nos testículos) e epididimites (inflamação no epidídimo, canais localizados na bolsa testicular, responsável pelo armazenamento de células reprodutivas).


Outras vantagens da castração responsável, são que elas auxiliam no tratamento de algumas doenças, como: hiperplasia prostática benigna (incontinência urinária), prostatite crônica (inflamação na próstata), adenoma (tumores que se desenvolvem em órgãos internos) e hérnia perineal (deslocamento que aparece na região do ânus do animal). Também auxilia no tratamento de doenças como diabetes (mesma que acomete humanos) e epilepsia (mau funcionamento do cérebro).


Para terminar, estudos científicos já comprovam a relação da castração responsável para a remoção de comportamentos indesejados por muitos tutores, como territorialismo e agressividade. A médica veterinária Heloisa Justen Moreira de Souza, que possui doutorado em patologia, e a médica veterinária Raquel de Souza Calixto, que possui mestrado em clínica médica, são duas pesquisadoras da área comportamental animal. Em artigo escrito por elas, as profissionais avaliam os efeitos da castração e apontam dados que comprovam a eficácia do procedimento na eliminação desses comportamentos. O artigo pode ser encontrado no banco de acervos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Portanto, essas são apenas algumas vantagens que o seu animal de estimação vai ter com a castração.


Olhando pela ótica financeira, ajudando na prevenção e auxiliando no tratamento médico de algumas doenças, você, como tutor, também pode ser beneficiado. Afinal, os custos financeiros para tratamento médicos, como exames laboratoriais e cirurgias, são mais elevados que os do procedimento da castração. Além disso, você aumenta o período de vida do seu animal de estimação. Diversos estudos acadêmicos na área da medicina veterinária defendem a frase anterior, um deles, por exemplo, é o médico veterinário Henri Donnarumma Levy Bentubo, doutor em microbiologia e imunologia.


Agora é curtir o seu animal de estimação! Depois dos procedimentos médicos veterinários, você e o seu pet estarão seguros de algumas doenças. Quando for levá-lo para casa, compre uma ração adequada para a alimentação dele. Não se desespere caso o animal não aceite alguma que você tenha comprado, logo de primeira. Vá até o pet shop e busque mais informações para fazer uma troca. Uma dica: compre ração em pequenas quantidades, até ver se o seu animal de estimação se acostuma com ela.


Lembre-se que o pet, principalmente os mais filhotes, são bastante curiosos. Portanto, não se estresse caso ele pegue alguns calçados, roupas ou itens da casa. Faça a aquisição de alguns brinquedos, para que ele tenha algo para morder e gastar energia. Arrume um cantinho aconchegante e limpo onde ele possa ficar e dormir. É de extrema importância que esse lugar seja espaçoso e que não seja uma “prisão”.


Relembrando, o animal de estimação é um ser senciente, ele consegue sentir sensações como a solidão, tristeza e abandono. Tenha uma rotina pré-definida de passeios diários, nem que seja uma volta no quarteirão do seu bairro, para que o animal tenha uma boa predisposição física. Arrumar um colega, para que o animal possa brincar, também é uma prática bastante saudável. Desde que você conheça a procedência médica do outro animal de estimação. Conseguir um amigo para o seu animal também é uma ótima forma de se socializar. Veja bem, vantagens para animais e tutores.


Outro aspecto bastante importante é manter o animal de estimação sob constante monitoramento. Por isso, é imprescindível que seja feito o acompanhamento médico veterinário do animal, pelo menos uma vez ao ano. Já deixe agendado a consulta do seu pet para um retorno com o médico veterinário de sua confiança. Como nós, os animais de estimação precisam de atenção médica constante. Qualquer irregularidade no comportamento usual dele, a primeira ação a ser tomada é ligar imediatamente para o médico veterinário e marcar uma consulta. Novamente, muito cuidado ao buscar informação em sites duvidosos. O mais adequado é manter contato com um médico veterinário, ou uma clínica de sua preferência. Atente para comportamentos como apatia, ganho ou perda de peso, dificuldades ao urinar ou defecar, indisposição ao comer ou beber água, coceira extrema entre outros.


Atenção! Resgatar animais errantes não é um procedimento adequado para se fazer, quando não se tem conhecimento sobre técnicas de manejo. A forma mais correta de se ajudar em um resgate é contactando órgãos de saúde pública, que têm profissionais treinados para atuar no resgate. Animais de rua podem conter doenças, que são transmissíveis para os humanos. Algumas doenças são transmitidas pela mordida, ou pela arranhadura. Portanto, cuidado. Caso você tenha sido ferido durante um resgate de um animal de rua, é imprescindível que você vá imediatamente a um pronto atendimento e depois levar o animal a um médico veterinário.


Outro cuidado necessário está ligado ao resgate de animais silvestres. Se, por acaso, você se deparar com um animal acidentado, ou precisando de ajuda, não faça o resgate com as próprias mãos. Por diversos motivos, essa prática não é recomendável, tanto fatores de saúde pública, quanto fatores de segurança pessoal. Portanto, o adequado é ligar para os órgãos públicos e reportar o acontecimento. Alguns números, como a Polícia Militar (190), a Guarda Municipal (153) ou o Corpo de Bombeiros (193), podem ser contactados. Também é importante lembrar que, manter animais silvestres em cárcere privado, sem autorização do IBAMA, é considerado crime ambiental, disposto na lei de número 9.605, de 1998.


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