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A valorização da cultura local durante a pandemia

Por Alex Carvalho

Graduado em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Ouro Preto

Ator, diretor e dramaturgo da Cômica Cia de Teatro



Durante a pandemia, muitos artistas optaram pelas lives | Banco de Imagens

O mundo precisou se reinventar com a pandemia, provocada pela Covid-19. Mudamos os nossos hábitos, as nossas rotinas, enfrentamos desafios econômicos e inovamos diariamente dentro dos parâmetros daquilo que muitos chamam de “novo normal”. Artistas do mundo inteiro também precisaram se reinventar, após o cancelamento de apresentações, turnês e fechamento de seus locais de apresentação. Tornaram-se comuns os espetáculos online, as lives musicais, as aulas remotas de dança e inúmeras formas de, não apenas de produzir arte, mas, também, de manter contato com o público e obter alguma renda que pague as contas que todos tem.

Ao mesmo tempo que os serviços de streaming, como a Netlix, ganharam milhares de novos assinantes pelo mundo, alguns espetáculos da Broadway fecharam de vez e o Cirque du Soleil está na corda bamba de um decreto de falência. E se está difícil para grandes empreendimentos culturais, para os artistas locais a situação não é diferente.

Como apoiar a cultura local, neste cenário de pandemia? Algumas pequenas ações já fazem toda a diferença. Para começar, não custa nada apoiar os artistas locais nas redes sociais, seguindo, curtindo, compartilhando. Essas ações simples ajudam a aumentar o público desses artistas e divulgar o trabalho que realizam.

Em Mariana, vários músicos realizaram lives, produzidas por empresários locais ou pelos próprios artistas. Shows para todos os gostos: MPB, Sertanejo, Samba, Pop-Rock. A qualidade estética e musical da grande maioria das produções, assim como a qualidade de áudio, vídeo e transmissão não ficaram devendo em nada para as produções de artistas nacionais que custam milhões. Quantas dessas transmissões você assistiu?

Seja na pandemia ou não, uma das maiores dificuldades de artistas locais é a falta de credibilidade que enfrentam em sua terra natal. São desvalorizados por serem da cidade e preteridos pelo público. Dê uma chance para o que é produzido na cidade e deixe de lado o preconceito com o trabalho do artista local.

Os professores de dança, música, teatro, artes plásticas também enfrentam as dificuldades de manter suas escolas diante das restrições de funcionamento da pandemia. Muitos se reinventaram e recorreram à internet para continuar ministrando as suas aulas. Aderir as aulas de arte a distância é uma forma de ajudar essas escolas a não fecharem as portas definitivamente.

Conheça a arte que é produzida na sua cidade. Descubra cantores, atores, músicos, pintores, desenhistas, bailarinos, escritores. Mariana tem uma grande diversidade de artistas, muitos novos talentos que podem se perder, caso não tenham o apoio que precisam, muitos profissionais que levam sua arte pelo mundo a fora e que são desconhecidos na sua própria cidade.

Por fim, não há como ignorar que estamos em um período eleitoral. Todos os dias pré-candidatos à câmara dos vereadores e à prefeitura municipal aparecem em notícias e nas redes sociais. Quais as propostas para os espaços culturais municipais? Como enxergam a diversidade de artistas da região? Frequentam os eventos culturais da cidade e conhecem os artistas da terra? Esse é o momento de questionar e escutar as propostas que os pré-candidatos têm para a cultura, pois elas serão decisivas para os artistas locais quando tudo isso passar.

Criado a partir do desejo de colocar em prática um fazer jornalístico verdadeiro, o Ângulo é um portal de notícias focado na região de Mariana, Ouro Preto e Itabirito. A história do veículo de comunicação se mescla com os anseios e missões de sua fundadora, que busca trazer novos ares para a mídia na cidade.

Aqui a missão é ser referência em notícia e se mostrar como um portal moderno, com visões amplas dos mais diversos lados das histórias e sujeitos.

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