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Como as redes sociais impactam na vida das pessoas, principalmente em meio a pandemia

Por Laryssa Gabellini

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

Mestranda em comunicação na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)


Banco de Imagens

Durante o período da quarentena mais rígida, e até mesmo agora que muitos tiveram que voltar ao convívio pessoal diário, uma das formas mais eficientes de comunicação e contato com outras pessoas se dá a partir do uso das redes sociais digitais. A tecnologia tem aproximado os usuários, seja através do compartilhamento de fotos, vídeos e conteúdo diversos, em plataformas como o Instagram, Facebook ou Twitter; ou até mesmo por meio das videochamadas, cada vez mais populares para o contato com a família e reuniões de trabalho.

Se utilizássemos como principal exemplo o Instagram, veríamos que a conectividade vai além dos laços pessoais. É possível acompanhar os posts dos seus amigos de infância e da sua irmã que mora longe, mas também de celebridades, daquela diva pop comentadíssima, do comediante famoso, da escritora polêmica e até daquela garota que você não sabe exatamente de onde veio, mas faz posts lindos sobre sua vida e tem milhares de likes. Independente do seu gosto, do seu nicho, você está conectado por e entre eles através dessa rede.

No âmbito das possibilidades, o Instagram é uma das plataformas que mais possibilitam a interação com diversos indivíduos dentro do ciberespaço, é um ecossistema digital que permite a formação de uma rede social ativa que conecta pessoas, empresas e conteúdos de interesses em comum.


Ou seja, é possível afirmar que a plataforma do Instagram vem ampliando as trocas, à medida que fornece funcionalidade e conteúdos. A situação externa ao digital contribui para que cada vez mais estejamos presentes nesse espaço, dedicando tempo e navegando por aquele ambiente. Outro fator de relevância é seu alto número de usuários ativos, chegando a marca de um bilhão de pessoas, seguindo em contínuo crescimento. Dessa forma, o Brasil se destaca sendo o 2º país com maior número de usuários no Instagram, perdendo apenas para os Estados Unidos.


Instagram em dados

Se olharmos para a quantidade de tempo que esses usuários passam dentro da plataforma, a análise fica ainda mais completa. De acordo com as informações do último relatório “State of mobile 2021” da App Annie3, uma empresa do setor de tecnologia que realiza análises do mercado mobile mundial, os brasileiros chegam em média a um total de 14 horas por mês dentro da plataforma do Instagram, o que daria uma média diária de ao menos 4 horas utilizando a plataforma.


O ranking utiliza dados de uso do ano de 2019 e de 2020, fazendo também uma comparação entre os períodos. A pesquisa tem como principal objetivo detectar quais setores emergentes e de alto crescimento estão preparados para uma ruptura móvel – pensando no mercado digital e no crescimento das plataformas e de seus usos.

Com essa margem de tempo, o Instagram assumi a terceira posição entre as redes sociais mais usadas no país. Em relação apenas a essa rede em específico, o aumento de tempo entre os anos comparados pela pesquisa foi de 2,5 horas por mês. Com essa estatística, é possível dizer que os brasileiros usuários do Instagram passam aproximadamente 2% do mês circulando por entre os conteúdos da plataforma, e dizer isso significa falar sobre muitas coisas.

O Instagram pode ser entendido enquanto uma plataforma que representa um Ecossistema Digital. Dentro dessa plataforma existe um espaço de interação, conexão e aglutinamento de vários elementos que são fundamentais na construção de fluxos comunicacionais e de dinâmicas únicas e específicas deste ambiente cognitivo.

Para que esses fluxos e dinâmicas ocorram, é preciso que haja ações entre esses elementos presentes na plataforma, ou seja, entre os agentes sociais que habitam esse local. Essas ações irão representar processos de cognição, de compartilhamento, de aprendizado, de modos de vida, entre outros, que são ali formados.


Mas, qual a origem desses elementos ali encontrados em simbiose?

A professora e pesquisadora Raquel Recuero explica que as redes sociais são formadas por dois elementos básicos, os atores sociais e as conexões. Os atores são os participantes, e as conexões são os laços sociais existentes entre eles. Para que essa relação exista de alguma forma, precisamos da interação (RECUERO, 2009). No interior dessas relações, o elemento-chave da conexão é o capital social, ou seja, o valor que um grupo ou comunidade confere à informações, conteúdos e produções que ali circulam. Esse capital social é de importante significado, pois é a partir dele que suas interações de identificação se intensificaram.


Em um momento de distanciamento social, como o que estamos enfrentando, abraços, sorrisos, aniversários, casamentos e nascimentos de bebês passaram a ser interpelados pelas telas, por essas plataformas como o Instagram, a pergunta que fica é, que tipo de capital social formamos? Que força de impacto tudo o que vivemos terá para nossa construção enquanto indivíduo com emoções e ser social?


A resposta é pessoal para cada um de nós, mas é possível projetar em como serão essas relações daqui para frente.


Boyd e Ellison citados Recuero (2009, pg. 102) definem sites de redes sociais “como aqueles sistemas que permitem a construção de uma pessoa através de um perfil ou página pessoal, com a possibilidade de interação através de comentários e a exposição pública da rede social de cada ator.”. Pensar em consonância com o que os autores afirmam nos permite caracterizar o Instagram como um dos principais canais de reprodução desse sistema. É através dessa plataforma, entre outras, que muitas pessoas criam suas socializações, mesmo que de forma virtual, e consomem, de forma sistêmica, as informações, os conteúdos e as aprendizagens que naquele espaço são disponibilizadas.


O resultado das hibridações das relações e da circulação das informações sociais em rede é um social expandido em mil direções. [...] “O novo social seria a expressão de uma sociedade interativa, caracterizada notadamente pelo aspecto dinâmico, as simbioses tecnológicas e a hibridação” (DI FELICE, pg. 278, 2009)


Portanto, é preciso dizer que as redes sociais impactam em nossas vidas a partir do momento que criamos um perfil. Essa chancela vai se alimentando conforme vamos construindo nossa rede de interações, amizades e interesses. Logo, passamos mais de um ano obtendo interações apenas por intermédio dessas plataformas, tendo assim modificações profundas que refletem hábitos, pensamentos, valores e posicionamentos. As redes não possuem definição entre bom ou ruim, muitos utilizam esse espaço, e da mesma forma que decidimos o que comer, ou quando iremos tomar banho, podemos também delimitar, mesmo que minimamente, o tamanhos desse impacto em nosso modo de ser e agir.